Devoradora por paixão e ofício

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente". De certo, a máxima de Oswald de Andrade é uma das idéias que mais teve influência na minha vida e na opção pelo Jornalismo como ganha-pão, ainda que forma intuitiva por vários anos de minha existência. Desde que me entendo por gente, devoro não apenas guloseimas preparadas por minha mãe, mas especialmente histórias, relatos, pessoas, utilizando cada visão de mundo para incrementar minha percepção acerca da realidade. Sou adepta do canibalismo cultural.
Comecei a cultivar o vício ainda criança, quando devorava um a um dos gibis de Mônica e sua turma. Desenho por desenho. Balão por balão. Palavra por palavra. Pilhas deles decoravam meu quarto e serviram de ponto de partida para a paixão pela literatura, que impulsionava ainda mais minha vontade de devorar histórias compulsivamente.
Anos mais tarde, passei a fazer meu ritual antropofágico nas aulas de redação do colégio. Rabiscava, apagava, pegava uma nova folha de papel, atirava a outra no lixo e partia para mais uma tentativa. Sempre fui muito exigente com as palavras por partir do pressuposto que meus textos tinham de ser devorados com prazer pelos que estivessem dispostos a lê-los. Apostava – e ainda aposto – em uma mistura de ingredientes: lirismo (quando permitido), coesão, ritmo e um português com menos erros possível. Graças a Deus, a proporção de elogios sempre foi maior que a de queixas de indigestão.
Entre as palavras de incentivo, uma teve significado especial para mim. Mestre Dilson, um professor de português, havia pedido que eu e os colegas de classe escrevêssemos uma carta para Gilberto Gil. Minhas linhas nunca foram lidas pelo ministro, mas a resposta de meu tutor atingiu de forma certeira meu coração. "Você vai longe", escreveu ele no texto, dizendo estar emocionado por ter revivido instantes de sua juventude através de minhas palavras. O comentário foi tão marcante, que acabei transformando-o em indagação. Na tentativa de saber até onde chegaria com minha com vontade de escutar e recontar as histórias dos diversos personagens que compõem o cotidiano, marquei a opção "Comunicação Social" no cartão de inscrição do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Hoje, recém-formada, vejo que optei pelo caminho certo. A cada matéria, tenho a possibilidade de devorar diferentes opiniões, culturas e sentimentos. Redescubro o mundo através do outro, dialogando com ele e, principalmente, escutando suas crenças e observando as sutilezas de seus gestos. Desta forma, percebo o quanto ainda tenho de aprender e partilho cada descoberta – por menor que seja – com meu leitor. Deixo que ele conheça junto comigo novas faces de cidades, de países, do planeta, do universo que nos cerca.
Tenho noção de que existem aqueles que optam pelo Jornalismo na tentativa de expor suas crenças. Respeito o ponto de vista, mas discordo totalmente com a idéia. Encaro o repórter como um agente da informação a serviço do outro que, mais do que falar, exercita a escuta diariamente e dá voz a pessoas de diversas classes, religiões, raças, níveis de formação, status em cada pauta. Alguém que a cada matéria – ou mesmo nos bastidores da produção noticiosa – devora, digere e ajuda a nutrir a sociedade, deixando que ela mesmo utilize esta refeição da forma que lhe for mais conveniente. Democratiza a informação tendo em vista a pluralidade do todo social.
E vou além: considero o jornalista um promotor da educação na medida que amplia o horizonte dos homens de “consciência enlatada” – como diria Oswald – através da cobertura de fatos, que, por sua vez, suscita o saudável hábito de debater no espaço público, a devoração recíproca propriamente dita. Por este rito, nascem consciências participativas, que passam a vislumbrar novas possibilidades. Cidadãos que, ao reconhecerem a sociedade, redescobrem o Direito e utilizam a devoração da informação como garantia de cidadania.
Comecei a cultivar o vício ainda criança, quando devorava um a um dos gibis de Mônica e sua turma. Desenho por desenho. Balão por balão. Palavra por palavra. Pilhas deles decoravam meu quarto e serviram de ponto de partida para a paixão pela literatura, que impulsionava ainda mais minha vontade de devorar histórias compulsivamente.
Anos mais tarde, passei a fazer meu ritual antropofágico nas aulas de redação do colégio. Rabiscava, apagava, pegava uma nova folha de papel, atirava a outra no lixo e partia para mais uma tentativa. Sempre fui muito exigente com as palavras por partir do pressuposto que meus textos tinham de ser devorados com prazer pelos que estivessem dispostos a lê-los. Apostava – e ainda aposto – em uma mistura de ingredientes: lirismo (quando permitido), coesão, ritmo e um português com menos erros possível. Graças a Deus, a proporção de elogios sempre foi maior que a de queixas de indigestão.
Entre as palavras de incentivo, uma teve significado especial para mim. Mestre Dilson, um professor de português, havia pedido que eu e os colegas de classe escrevêssemos uma carta para Gilberto Gil. Minhas linhas nunca foram lidas pelo ministro, mas a resposta de meu tutor atingiu de forma certeira meu coração. "Você vai longe", escreveu ele no texto, dizendo estar emocionado por ter revivido instantes de sua juventude através de minhas palavras. O comentário foi tão marcante, que acabei transformando-o em indagação. Na tentativa de saber até onde chegaria com minha com vontade de escutar e recontar as histórias dos diversos personagens que compõem o cotidiano, marquei a opção "Comunicação Social" no cartão de inscrição do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Hoje, recém-formada, vejo que optei pelo caminho certo. A cada matéria, tenho a possibilidade de devorar diferentes opiniões, culturas e sentimentos. Redescubro o mundo através do outro, dialogando com ele e, principalmente, escutando suas crenças e observando as sutilezas de seus gestos. Desta forma, percebo o quanto ainda tenho de aprender e partilho cada descoberta – por menor que seja – com meu leitor. Deixo que ele conheça junto comigo novas faces de cidades, de países, do planeta, do universo que nos cerca.
Tenho noção de que existem aqueles que optam pelo Jornalismo na tentativa de expor suas crenças. Respeito o ponto de vista, mas discordo totalmente com a idéia. Encaro o repórter como um agente da informação a serviço do outro que, mais do que falar, exercita a escuta diariamente e dá voz a pessoas de diversas classes, religiões, raças, níveis de formação, status em cada pauta. Alguém que a cada matéria – ou mesmo nos bastidores da produção noticiosa – devora, digere e ajuda a nutrir a sociedade, deixando que ela mesmo utilize esta refeição da forma que lhe for mais conveniente. Democratiza a informação tendo em vista a pluralidade do todo social.
E vou além: considero o jornalista um promotor da educação na medida que amplia o horizonte dos homens de “consciência enlatada” – como diria Oswald – através da cobertura de fatos, que, por sua vez, suscita o saudável hábito de debater no espaço público, a devoração recíproca propriamente dita. Por este rito, nascem consciências participativas, que passam a vislumbrar novas possibilidades. Cidadãos que, ao reconhecerem a sociedade, redescobrem o Direito e utilizam a devoração da informação como garantia de cidadania.


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