Prosa do futuro exílio

Sabe aquela sensação de fim de festa? Ver todos os participantes que se divertiram à noite inteira – ou não – saírem esgotados e olhar para móveis e arranjos postos em outro lugar. É como se todos estes elementos e tantos outros situados ao nosso redor evidenciassem o passar de minutos, de instantes, de anos que retornam como um flashback na memória.
Ontem, senti esta sensação ao ver bolas e chapéus caídos sobre o chão e ao me deparar com pessoas que fizeram parte da minha existência: a amiga preferida de colégio; a professora de Literatura, que me fez conhecer e amar um pouco mais a minha língua; amigos feitos na adolescência e que, tantas vezes, me serviram de suporte; e ainda pessoas também muito queridas e conhecidas ao longo desta breve existência adulta que tanto fomenta em mim angústia, seja pelo ser ou não ser, seja pelo ter ou não ter. Tudo em um piscar de olhos.
Ontem, senti esta sensação ao ver bolas e chapéus caídos sobre o chão e ao me deparar com pessoas que fizeram parte da minha existência: a amiga preferida de colégio; a professora de Literatura, que me fez conhecer e amar um pouco mais a minha língua; amigos feitos na adolescência e que, tantas vezes, me serviram de suporte; e ainda pessoas também muito queridas e conhecidas ao longo desta breve existência adulta que tanto fomenta em mim angústia, seja pelo ser ou não ser, seja pelo ter ou não ter. Tudo em um piscar de olhos.
Nesses 4 anos vivenciados dentro das paredes uerjianas tenho certeza de que aprendi muito mais do que conteúdos referentes à prática jornalística. Tomei posse da vocação de filósofa e, dia após dia, tornei-me mais humana ao me questionar os rumos de minha vida, tão limitados e audaciosos há cinco anos atrás, tão imprecisos, lapidados, mais realistas e modestos. Porém, ainda são sonhos com cara de sonho, vontade de modificar mundos dentro do mundo e de torná-los menos cor de cinza.
Assumo, dia a dia, a vocação de caçadora de esperanças. Caço não apenas as minhas, as perceptíveis e as anestesiadas pela dureza do envelhecer e do capitalismo que nos torna descartáveis e tantas vezes alienados – por mais que neguemos, funcionamos várias vezes como robozinhos fordistas. Caço as esperanças de outros. Anseios que me modificam, me provocam, me instigam a lutar contra a mediocridade que tantas vezes circula sobre o meu corpo e fica entranhada em minhas células. Esperanças que me humanizam. Esperanças que semeiam esperanças.
Tudo tão bom e tão melancólico. Ver que o tempo passou e que uma etapa se cumpriu de forma totalmente distinta daquela planejada por mim. Ver que a promessa tão despretensiosa feita quando era apenas uma vestibulanda se cumpriu e que, em julho, completarei um ciclo da minha vida em muros que representam um misto de indignação contra o Estado e admiração em relação aos guerreiros. Muros que, hoje, também são um pouco de mim e materializam memórias, lembranças do que ali fora vivido.
Nosso campus tem menos verde; nossas instalações, menos verbas, mas nem por isso em nosso peito bate um amor menor. Eis um sentimento de uma futura exilada que vislumbra a possibilidade de deixar seu pedaço de terra – pelo menos no lugar de onde fala agora – e vive a travessia proposta por Pessoa. Um ser migrante que procura, a cada instante, alimento para sua existência dentro de si mesma e dentro do outro, por meio de quem também se reconhece. Uma caçadora à procura de esperanças internas, externas, do mundo.
Assumo, dia a dia, a vocação de caçadora de esperanças. Caço não apenas as minhas, as perceptíveis e as anestesiadas pela dureza do envelhecer e do capitalismo que nos torna descartáveis e tantas vezes alienados – por mais que neguemos, funcionamos várias vezes como robozinhos fordistas. Caço as esperanças de outros. Anseios que me modificam, me provocam, me instigam a lutar contra a mediocridade que tantas vezes circula sobre o meu corpo e fica entranhada em minhas células. Esperanças que me humanizam. Esperanças que semeiam esperanças.
Tudo tão bom e tão melancólico. Ver que o tempo passou e que uma etapa se cumpriu de forma totalmente distinta daquela planejada por mim. Ver que a promessa tão despretensiosa feita quando era apenas uma vestibulanda se cumpriu e que, em julho, completarei um ciclo da minha vida em muros que representam um misto de indignação contra o Estado e admiração em relação aos guerreiros. Muros que, hoje, também são um pouco de mim e materializam memórias, lembranças do que ali fora vivido.
Nosso campus tem menos verde; nossas instalações, menos verbas, mas nem por isso em nosso peito bate um amor menor. Eis um sentimento de uma futura exilada que vislumbra a possibilidade de deixar seu pedaço de terra – pelo menos no lugar de onde fala agora – e vive a travessia proposta por Pessoa. Um ser migrante que procura, a cada instante, alimento para sua existência dentro de si mesma e dentro do outro, por meio de quem também se reconhece. Uma caçadora à procura de esperanças internas, externas, do mundo.


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